5 de maio de 2013

“Quero acordar ao teu lado a um domingo de manhã e saber que não temos hora para sair da cama. E, depois, ir tomar café na padaria e ler o jornal contigo. Quero ouvir-te a contar como correu trabalho e falar detalhadamente de pessoas que eu não conheço, e nem vou conhecer, como se fossem meus velhos amigos. Quero ver-te a olhar para mim entre um gole de café e outro, sem nada para dizer, e apenas sorrir antes de voltar a folhar o caderno de cultura. Quero a tua mão no meu cabelo, dentro do carro, a caminho do teu apartamento. Quero deitar-me no sofá e ver-te a cuidar das plantas, escolher a playlist no ipod e dobrar, daquele jeito despreocupado, as roupas esquecidas em cima da cama. E que, sem mais nem menos, desistas da arrumação, te atires para cima de mim, me beijes e abraces como nunca fizeste com outra pessoa. E que perguntes se eu quero ver um DVD mais tarde. Quero deitar-me ao fim do dia na relva do nosso jardim, a olhar para lua e a ouvir-te contar histórias do passado. Quero escutar-te a falar do futuro e sonhar com minha imagem nele, mesmo sabendo que eu provavelmente não estarei lá. Quero que ignores a improbabilidade da nossa jornada e fales da casa que teremos no campo. Quero que descrevas em detalhes, que fales do jardim que construiremos, e dos cachorros que compraremos. E que faças tudo isso enquanto passas a mão nas minhas costas e me beijas o rosto. Quero que me prometas ter entendido que a felicidade não é um destino, mas a viagem. E que, por isso, teremos sido felizes pelos vários domingos na cama e pelos sonhos que compartilhámos enquanto olhávamos a lua. Que que acredites que não me deves nada simplesmente porque os amores mais puros não entendem dívida, nem mágoa, nem arrependimento.”

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