23 de novembro de 2011

conversa #5

''Ele: Odeio-te
 Ela: Eu sei que não.
 Ele: Eu amo-te.
 Ela: A sério?
 Ele: Não, a sério não.
 Ela: Ah…Então para que é que disseste?
 Ele: Mas eu amo-te. Só não te quero amar a sério. Com essas coisas todas bonitas e com essa poesia toda.  Com essa coisa de ir para os restaurantes para jantar, sermos organizados, ligarmos a tudo e mais alguma coisa. Não quero amar-te a sério. Quero amar-te e sujar o teu nariz de gelado. Quero amar-te e pegar-te ao colo, levar-te às cavalitas. Rir de tudo. Quero amar-te e vermos um filme ou jogarmos consola. Viver à nossa maneira. Quero fazer um brigadeiro contigo e sujarmos tudo. Pintarmos as paredes da nossa casa e no final do dia estar tudo sujo. Fazer caretas ao espelho enquanto escovo os dentes ao teu lado, ajudar-te a escolher a roupa para sair, ficar de baixo do cobertor com uma lanterna ligada e a conversar a noite inteira. Usar os teus sutiãs e rir-me de ti. Rires de mim. Despentear o teu cabelo, discutir sobre coisas parvas e no final acabarmos a rir. Não quero daqueles amores sem graça, que é só andar de mãos dadas, dizermos que nos amamos e irmos jantar a restaurantes de ricos. Quero dizer-te que te odeio e tu saberes que te amo. Quero levar-te para os parques da cidade, comprar-te algodão doce e um urso daqueles de peluche grandes para ti. É isso que eu quero. Eu quero amar-te, não quero ser adulto.''

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